Olá. Tento escrever sem passar para o drama, que é minha especialidade, mas sinto que tudo que eu falar aqui soará meio dramático. Então sigamos o coração.
Eu na verdade acho que todo protetor se sente assim. Aquela sensação de: "tô fazendo tudo certo?". É uma vida na sua mão. O pior é: quem se propôs a salvá-la foi você mesmo.
Foi um dia longo, dormi horas entrecortadas para dar comida ao pequenino. Tô com medo porque não sei se ele está fazendo cocô certo. Se está pouco, ou muito, sei lá, não sou mãe gata. Fora que ele está comendo bastante. Parece um hamster barrigudinho quando acaba de mamar e eu me pergunto: "é pra deixar ele comer assim? Mas ele mama, ele mia, ele pede..."
É difícil fazer este tipo de trabalho quando a vida pessoal está uma droga. A profissional não está muito melhor, apesar de ter conseguido um novo emprego logo após perder meu último. Pra os poucos que me leem, sou professora de inglês. Falhar, fora a tristeza natural, significa mais um fracasso. Mais uma perda. Eu não lido muito bem com perdas. Penso que protetores tem que ser quase como médicos, ou endoidam lidando com vida/morte/vida numa frequência grande. Terapia pra todo mundo. Bem, eu estou fazendo a minha.
Fora isso tem o Harrison, o gatinho sem um olho que cuido da rua. Ele vem, come, vai embora. Mas hoje ele quase não comeu. Ontem não apareceu. Fico com dor na consciência de deixá-lo do lado de fora mas o que posso fazer? Não tenho espaço, moro em apartamento, pequeno, por sinal. Com 5 gatos e 1/4 (que é o pequenino, que eu contaria como um porquinho-da-índia).
Fiz escolhas erradas hoje. Tomei café para despertar e por consequência tenho mais uma insônia. E é por isso que estou aqui no blog hoje.
Enfim. Mais um dia.





