Não adianta, quando eu tenho um blog eu tenho que falar da minha vida. Enfim, fazer o que?
Para quem não sabe eu sou de Brasília mas estava morando em Curitiba por 8 anos antes de vir morar em Recife. E quem conhece estas duas cidades em que eu estava sabe que por um motivo ou outro você não vê muitos animais nas ruas. Porém, quando eu cheguei aqui eu vi... E muitos.
Eu já criava gatos em Curitiba e, alguns meses depois de chegar resgatei uma gatinha na frente do colégio Santos Dummond, tadinha, um bebê e doente... Depois desta, vieram muitos. Costumo dizer que a "culpa" é da minha mãe, que me deixava pegar até pombinhos machucados e levar pra casa para serem cuidados... (risos)
Houveram casos mais amenos a casos mais tristes, como uma gatinha que peguei quando minha mãe estava um dia olhando pela janela do nosso apartamento numa tarde de domingo e viu um garoto jogando uma pobre peludinha no canal e quando ele tentava nadar para a margem ele jogava pedras (confesso que corri para pegar o garoto e se eu tivesse conseguido eu ia jogar ele no canal e ficar jogando pedras para ele ver como é "legal"), um outro que estava todo sujo de lama e machucado por cachorros na rua, uma bebezinha deixada pra "se virar" na pracinha de Boa Viagem... A maioria estava no Colégio Santos Dummond, depósito de gatos aqui de Setúbal, mas também peguei gatinhos no Pina, na Rural...
Eu não fazia idéia da rede de protetores que existia aqui em Recife, conhecendo-os muito tempo depois pelo Facebook, primeiramente na passeata do Crueldade Nunca Mais e posteriormente num mutirão de banho do Abrigo do Sr. Alberto, onde tive o prazer de conhecer pessoas fantásticas e que fazem um trabalho incrível, como Irleide Oliveira, Gil Marinho, Magda Abreu, Izabel Luna... Depois de ter contato com elas estou trabalhando cada vez mais ativamente pela causa.
Hoje estou engajada na construção do gatil no terreno onde já estão 8 cães cuidados pela Irleide. Ah sim, não é que eu não goste de cachorros. Resgato gatos por 2 motivos: são mais fáceis de manter em apartamento (que é o que eu tenho) e porque, por algum motivo, são casos de gatos que cruzam meu caminho.
Por que estou escrevendo tudo isso? Para passar o amor adiante. Pois se foi algo que aprendi é que quando você faz o bem, de uma forma que nem eu sei explicar porque, as coisas acontecem pra gente. Nunca me faltou dinheiro para cuidar dos gatos que resgatei. Sempre, de uma forma ou de outra, acabava encontrando um dono para todos eles e os que eu fiquei foi porque assim o desejei. Incrível como sempre que eu precisava, surgiam alunos particulares (sou professora de inglês) do nada, quantias que eu não estava esperando, alguém para ajudar que eu nunca imaginaria ajudando... Pequenos milagres.
As vezes a gente se pergunta porque nossa vida não vai pra frente, as vezes se sente vazio, incompleto. Eu aprendi que temos que fazer a roda girar, para se ter o bem é preciso dar o bem, fazer fluir a energia do Universo. Nos damos desculpas esfarrapadas como "falta de tempo", "falta de dinheiro", mas eu conheci pessoas simples que doavam um pouco já do pouco que tinham por uma causa... Ou pessoas teoricamente sem tempo que arranjaram tempo para visitar um abrigo (neste caso, de crianças).
Para mim ajudar animais não é apenas uma escolha. Eu simplesmente NÃO CONSIGO ser indiferente. Eu faço pouco, muito pouco, perto de muitos que conheci, inclusive. Ainda me dou desculpas, ainda me prendo a coisas que não deveria. Mas eu preciso ser parte de algo, na verdade, fazer a minha parte para tentar mudar este mundo cheio de pobreza (também de espírito) em que vivemos. Para viver melhor comigo mesma e com os que me cercam.
Queria que muitos fizessem sua parte. Fizessem acontecer a mudança que todos querem para o mundo. E tenho esperança que um dia isso acontecerá.