Olá. Tento escrever sem passar para o drama, que é minha especialidade, mas sinto que tudo que eu falar aqui soará meio dramático. Então sigamos o coração.

Eu na verdade acho que todo protetor se sente assim. Aquela sensação de: "tô fazendo tudo certo?". É uma vida na sua mão. O pior é: quem se propôs a salvá-la foi você mesmo.

Foi um dia longo, dormi horas entrecortadas para dar comida ao pequenino. Tô com medo porque não sei se ele está fazendo cocô certo. Se está pouco, ou muito, sei lá, não sou mãe gata. Fora que ele está comendo bastante. Parece um hamster barrigudinho quando acaba de mamar e eu me pergunto: "é pra deixar ele comer assim? Mas ele mama, ele mia, ele pede..."

É difícil fazer este tipo de trabalho quando a vida pessoal está uma droga. A profissional não está muito melhor, apesar de ter conseguido um novo emprego logo após perder meu último. Pra os poucos que me leem, sou professora de inglês. Falhar, fora a tristeza natural, significa mais um fracasso. Mais uma perda. Eu não lido muito bem com perdas. Penso que protetores tem que ser quase como médicos, ou endoidam lidando com vida/morte/vida numa frequência grande. Terapia pra todo mundo. Bem, eu estou fazendo a minha.

Fora isso tem o Harrison, o gatinho sem um olho que cuido da rua. Ele vem, come, vai embora. Mas hoje ele quase não comeu. Ontem não apareceu. Fico com dor na consciência de deixá-lo do lado de fora mas o que posso fazer? Não tenho espaço, moro em apartamento, pequeno, por sinal. Com 5 gatos e 1/4 (que é o pequenino, que eu contaria como um porquinho-da-índia).

Fiz escolhas erradas hoje. Tomei café para despertar e por consequência tenho mais uma insônia. E é por isso que estou aqui no blog hoje.


Enfim. Mais um dia.




Peço que me desculpem os erros de português, pois escrevo morrendo de sono, na minha jornada de salvar um bebê gatinho de 15 dias ou quem sabe 17... Agora que ele passou sua segunda noite comigo.
Já falei que gostava de usar um blog para assuntos pessoais e talvez por não estar fazendo isso antes ele estava parado... Mas agora, pra não me entregar ao sono, resolvi passar o tempo a escrever mais.
Como é isso de cuidar de um bebê tão novinho? Dá medo. Muito medo. Cada vez que abro a porta do quarto onde ele está me bate um pavor dele não estar respirando. Brinco com minha mãe que já que, até agora aos 33 anos não lhe dei netos, resolvi brincar de mãe com bichinhos. :)
Para cuidar de um animalzinho assim primeiro não tem que ter nojo. É. porque sabe como eles fazem xixi e cocô? Estimulando suas "partes íntimas" com um algodão ou, como foi na primeira vez que consegui, com o dedo mesmo. Pense que este bichinho estava a algumas boas horas sem fazer suas necessidades até que eu me desse conta disso.

Eu queria ir no banheiro mããe!

Aí vem o leite. No desespero comprei o NAN. Mas vi 500 posts na internet dizendo que tinha que comprar o leite especial. Fora a mamadeira, pois o bichinho estava ligeiramente contrariado por estar tomando leite na seringa... Mas e pra achar a danada da mamadeira pra filhotes? 3 Pet shops. Isso sem contar no desespero.com.br pois tive que passar umas 5 horas fora de casa resolvendo minha vida (terapia + contadora pra rescisão da escola que trabalho + almoçar neste meio tempo + comprar a bendita da mamadeira). "Pelos Deuses ele vai morrer de fome!!". Aí chego em casa e  cadê que o bichinho pega o bico da mamadeira? Corta o bico, tenta daqui, de lá e UAU! Consegui.

Bem melhor!

Sei que tem gente que vai achar que to escrevendo isso aqui pra que joguem confete no que estou fazendo. Não. É que preciso desabafar um pouco. Vejo as pessoas me chamando de anjo por estar fazendo isso, mas que nada, anjo coisa nenhuma, sei de protetores que fariam isso e muito mais. Devia deixar de pensar nos meus problemas, que não são nada perto do sofrimento que passam estes animais. Este foi jogado na Avenida Boa Viagem pra morrer, por exemplo. E eu não a muito tempo estava com pena de mim mesma, tomando remédio e reclamando da vida ingrata. Tá. Ainda preciso internalizar muita coisa e... ops. Esqueci que isso não é minha psicóloga.

Anjo de verdade.

Então é isso. Devo vir aqui mais vezes pra desabafar. A gente lida com o milagre da vida à sombra da morte e isso apavora as vezes. Escrever sempre me ajudou, de qualquer forma. 
Vou lá abrir a porta do quarto dele de novo e... tome frio na barriga.